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maio 7, 2012 / biamendes

Pessoas em dobro

Por Bia Mendes

Segunda Feira, 07 de maio de 2012. Por algum motivo que desconheço, hoje a cidade dobrou o número de trabalhadores! No ponto de ônibus perto de casa, cheguei às 07. Geralmente quando chego, encontro 3 ou 4 pessoas esperando o das 07:10 passar. Hoje o ponto contava com 12. Estranhei.

Após 5 minutos de ponto, começaram os comentários “To aqui desde as 6 e meia” e “O próximo ônibus nem vai parar, viu?”. Uma senhora prometeu “Já passaram 4! Vou esperar somente o próximo. Se ele não parar, vou andando”. O resultado nós já sabemos: O próximo não parou, porque estava lotado e não havia espaço. Fomos todos andando até a avenida, já atrasados com aquele começo de rotina que saiu do planejado.

Nessa hora, aconteceu a primeira coisa gostosa do dia. Conheci uma senhora que mora no meu bairro há 10 anos, e eu nunca a tinha visto! Conversamos até pegarmos o ônibus, já na avenida. Ela era áspera, mas engraçada. O sotaque nordestino acelerado, jeito simples e histórias sobre o seu trabalho me distraíram enquanto a preocupação com o horário insistia na cabeça.

Peguei o ônibus na avenida, e lá novamente havia lotação. Quase não entrei! Pra minha surpresa, a maior parte das pessoas ali dentro não estava estressada. O fiscal da SPTRANS gritava “Vamo, gente, segurem e garantam suas vagas aí dentro. Vamo passando a catraca. O fundo tá vazio!”. Claro que o fundo não estava vazio, aquilo era só incentivo para tentar organizar as coisas.

Num outro ponto, um fiscal obrigou o motorista a abrir a porta. Mas não havia espaço para qualquer pessoa entrar. Foi aí que os de fora começaram a empurrar, e os de dentro gritavam. No miolo da frente do ônibus começou a planar um grande estresse, alguns diziam ter se machucado no empurra empurra.

Deparamos com uma avenida bem congestionada e ficamos 20 minutos parados no mesmo lugar. Depois, mais trânsito, caminhões, ônibus quebrado, motorista imprudente, excesso de carros e ônibus. Aproveitei pra ler um pouco.

Fones de ouvido, sacolas de loja com marmita, batons exagerados, unhas bem feitas, roupas sociais, camiseta de time, crachás.

Por fim, cheguei. Atrasada. E o engraçado é que eu amo São Paulo.

abril 22, 2012 / biamendes

Ação > Deletar

Criteriosa, chata, lenta, observadora.

Seleciono. Demora. Mas prefiro selecionar.

Os poucos escolhidos têm poder.

Tanto poder que nem imaginam.

Provocam efeitos colaterais, animam,

Ferem.

Ferem por não saber do poder que têm.

Grito preso, agonia, cara na porta.

É isso que acontece, e depois, passa.

Passa só a força, porque os fatos ficam.

Parece que eles têm algo de especial, os selecionados.

Viram especiais. Viram partes do corpo.

Segundos depois, fico eu aleijada.

Acho que minha seleção tá falhando.

Hora de aprender a desfazer a seleção.

Excluir, apagar, borrar, qualquer coisa.

Na adolescência as coisas pareciam ser pra sempre.

De tão reais.

Hoje o real me faz ver que não é pra sempre.

Tô aprendendo.

Alguns até são pra sempre.

Com o tempo eu descubro eles.

Ou descubro os que não são.

Vi que não é, e vou excluir.

Assim vai ser melhor.

Talvez eu volte atrás, nem exclua.

Mas o poder que disse no começo vai sumindo.

Até virar, também, só mais um fato no passado.

fevereiro 17, 2012 / biamendes

Idosos

fevereiro 4, 2012 / biamendes

Pensa, passos, passou

Por Bia Mendes

Pensa, pensa e pensa. Distante enxergamos melhor. Distante lembramos o que poderia ser dito. Mas dizer, por que? Nada se diz em vão. Não faria diferença.

Pensa, pensa, pensa. Conhece? Não. O tempo passou, mas conhece-se menos. Não se conhece. Não sabe.

Sabe questionar, mas questiona pessoas erradas. Na verdade, não faz questão, não questiona, não sabe.

Não faz diferença. Não se diz em vão. Uns foram, outros virão. Me conheço.

Mente e coração limpos, com pesar. Apesar que não. Agora não pesa.

novembro 27, 2011 / biamendes

Coletivamente falando

Por Bia Mendes

Em algum momento descobrimos que nossos ouvidos têm mais poder que a boca. Sim, eles fazem mais que a boca. Quando sabemos usá-los, eles são a principal fonte de aprendizado. Eles ganham dos olhos, ganham das mãos.

Nossos ouvidos têm mais poder que a boca.

A boca responde, os ouvidos também. Os olhos mostram, os ouvidos também.

Nossos ouvidos têm mais poder que a boca.

Quando a gente sabe ouvir.

Nossos ouvidos têm mais poder que a boca.

Quando não estamos gordos de sentidos, sabe? Com sentido localizado?

Nossos ouvidos têm mais poder que a boca.

E tem gente que não sabe ouvir.

E eles não aprendem, não sabem, nem sentem. Não veem, não têm dificuldades. Será?

Nossos ouvidos têm mais poder que a boca.

E as dificuldades existem. Tem gente que tem dificuldade em não saber. Não sabem que não sabem, pois sabem demais. Sabem de menos. Sinto pena.

Nossos ouvidos têm mais poder que a boca.

E o orgulho é covarde, porque é covardia fechar os olhos, ou fechar o peito, ou fechar o cérebro. Tanto faz. É covardia.

Nossos ouvidos têm mais poder que a boca.

E eles existem só pra quem sabe ouvir.

Nossos ouvidos têm mais poder que a boca.

E quem ouve, fala, e quem fala, sente, e quem sente, ouve. E assim por diante.

Nossos ouvidos têm mais poder que a boca.

novembro 12, 2011 / biamendes

Se os humanos fossem animais

Por Bia Mendes

Meu maior sonho é que nós humanos fossemos animais. Não somos animais.

ANIMAL! É ofensa.

O mundo seria bem melhor se fossemos animais. Não existiriam interesses pessoais distorcendo as ações. Não haveria roubo, inveja, injustiças.

Nós nem saberíamos o que é isto tudo! Todas as coisas humanas… Não existiriam.

Nada de preconceitos, discriminações.

Preocuparíamos-nos em comer, beber… Transar, fazer alguns exercícios.

Porque nós, humanos, nos preocupamos com a nossa imagem, nosso salário. Nossos objetos e propriedades. Até quando chamamos essa propriedade de “amor”.

Não haveria guerra entre religiões, ninguém ia morrer por uma crença. Aliás, nem a religião iria existir. Os animais não vão à missa.

É… Seria bem melhor… Natural.

Os animais são naturais, agem naturalmente, não forçam nada. Não precisam de regrinhas nem punições. Agem naturalmente, sabem agir.

Nada de preconceitos, discriminações.

Já viu algum peixe desfazer do cavalo-marinho? Chamar o macho de bicha?

Os animais são tão inteligentes! Queria que os seres humanos fossem animais.

novembro 12, 2011 / biamendes

Curiosidade

Por Bia Mendes

http://www.flickr.com/photos/joaoalff

Saímos com pressa, animação e companhia, como todas as manhãs, juntas. Carros, pedreiros, bares, moradores… O de sempre. A espera no ponto de ônibus já nos mostra, todos os dias, uma parcela do que vamos encontrar. Neste dia a parcela da diversidade se chamava “Curiosidade humana”. A motivação que faz as pessoas pararem na rua quando veem algo diferente. Os motoristas que formam trânsito quando tem acidente, se arrastando em volta do local para olhar a “cena do crime”, em busca de indícios que lhes responda o que aconteceu (Quem sabe para ajudar, né?). Os que olham os jovens extravagantes, tentando entender o que aconteceu com essa nova geração “tão perdida”.

Enfim, o ônibus chegou, e entramos. Lá não foi diferente. Os olhares, de tão profundos, penetravam a alma! Eram olhares de busca, de descoberta, olhares que conseguiriam ressaltar e descrever até mesmo a nuance dos pelos do corpo. Cada pedacinho era analisado, naquela procura tão crucial como as refeições que fazemos todos os dias. As pessoas precisam disso. Aquelas pessoas precisavam saber.

Fiquei ao lado, observando. O que espantava tanto?

Boca, olhos, nariz, roupa (que culturalmente já virou parte do corpo), membros. Era tudo igual ao de todo mundo. Usava calça jeans azul justa e blusa de manga comprida, de tecido tão fino que delineava os seios. Cabelos demasiadamente curtos e escuros como petróleo. A maquiagem era leve, somente realçava os traços do rosto e o contorno dos olhos, bem vivos. Ela respirava, sentia, falava, ria. Mais perdida que as pessoas era eu, que assistia. O ônibus parou, e com isso, pararam os barulhos também. Ao fundo uma frase sussurrada, entre mãos e risinhos toscos, ganhava forma:

- Será que é homem ou mulher?

O semáforo ficou verde e o ônibus voltou a andar. Os olhares curiosos eram também indecentes, pois chegavam a despir. Maiores que a curiosidade, também era a irritação. A felicidade dela irritava, a não falta de assunto irritava, a normalidade de comportamento também irritava.

Ponto de ônibus, parada.

- Motorista, posso subir?

E o coitado do garoto subiu. Coitado porque ficou gritando por cinco minutos e ninguém olhou pra ele. Vestia umas roupas simples e chinelo sem calcanhar. Vendia adesivos. Gritando por cinco minutos sem conseguir chamar atenção. O que havia acontecido com a curiosidade? O garoto foi passando pelos corredores, esticando as cartelas até as pessoas, continuando seu discurso de vendedor, entre as frases “Licença, senhora”, “O senhor quer adesivos?”, “Quem não puder ajudar, agradeço da mesma forma” e “Boa viagem para vocês”. No fim, somente duas pessoas compraram os adesivos, as outras balançavam a mão ou cabeça, algumas sussurravam “Obrigada” enquanto miravam os cantos da janela. Curiosidade desviada e estranha a dessa gente. Entre uma parada e outra tentavam disfarçar a busca ininterrupta que faziam, para descobrir o sexo da misteriosa criatura.

Pobre daquele garoto, pensei comigo. Talvez a pobreza tenha subido para o patamar de coisas normais.

outubro 10, 2011 / biamendes

Campanha PNUMA / tratamento de imagem

Campanha para incentivar as empresas à investirem em economia verde, visto que para isto seria necessário somente 2% do PIB mundial.

Trabalho em dupla, Beatriz Mendes e Patrícia Yoshizumi.

outubro 10, 2011 / biamendes

Composição Tipográfica

Criação de uma composição tipográfica, em dupla.

Gabriela Ferreira e Beatriz Mendes.

Nossa composição tipográfica alinha a palavra da língua portuguesa “sanitário” à elementos visuais que identificam e diferenciam os sanitários destinados aos dois sexos. Sem o uso conjugado de ambas, as duas portas do banheiro transmitiriam conteúdo de igual significação, sem distinguir os sexos. Assim, ambos necessitam um do outro para transmitir o real e intencional sentido.

outubro 10, 2011 / biamendes

Simetria / Assimetria

Transformação de um poster da Bauhaus em assimétrico.

ORIGINAL

TRANSFORMAÇÃO

Transformação de um layout de David Carson em simétrico.

ORIGINAL

TRANSFORMAÇÃO

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